Caminho de incertezas

Main Posts Background Image

Main Posts Background Image

06 junho 2017

Caminho de incertezas

Quando resolveu engravidar, a fertilização in vitro foi o último recurso para Glauce


Por Marcela Pissolato
“É longo. Psicologicamente, é um pouco doloroso. Além de dispor de um tempo e dinheiro grande para isso, a gente tem que lidar com a dúvida, porque pode ser que não dê certo. É difícil, não é fácil”. É assim que a professora Glauce Morais Baptista do Carmo define o seu processo de fertilização in vitro*, feito em 2016. Apesar do final feliz, a caminhada não foi tão simples.

Tudo começou em 1998, quando Glauce e Rodrigo, ambos de Bebedouro, SP, começaram a namorar. Depois de nove anos, veio o pedido de casamento. Ela, que sempre sonhou com aquele momento, aceitou de prontidão. Entre shows de rock e o dia a dia em salas de aula, resolveram que era a hora de ter um filho. Estava tudo sendo programado, ela parou de tomar anticoncepcional e, depois de quatro meses, conseguiu engravidar. O que ninguém esperava, porém, aconteceu…


A primeira perda


A notícia veio como um baque para toda a família e, principalmente, para o casal, que já fazia planos para o bebê. Então, eles decidiram investigar a situação. “Descobri que sou portadora de trombofilia*, é genético e eu teria que fazer um tratamento durante a gravidez, usando anticoagulante* todos os dias”, conta Glauce.

Ela começou a fazer o tratamento de coito programado*. Foram três tentativas sem sucesso. A próxima escolha do casal foi tentar a inseminação artificial* e, dessa vez, deu certo: Glauce estava grávida novamente, mas, como dizem por aí, “tudo tem seu tempo e hora certos para acontecer”. E, talvez, essa não seria, novamente, a vez do casal…


A segunda perda


Durante essa gravidez, Glauce já estava no tratamento com anticoagulante. Entretanto, ainda havia alguns “probleminhas”, como ela diz, a serem descobertos. “A gente descobriu que eu e meu marido temos uma incompatibilidade sanguínea, os nossos linfócitos* não combinavam. Não é coisa de fator rh positivo ou negativo, são os linfócitos. Tive que fazer um tratamento que consistia em pegar esses linfócitos do meu marido e colocar em mim, pra que eles fizessem ‘amizade’”, relata.

Esse tratamento de incompatibilidade sanguínea foi feito em São Paulo e ela, que mora no interior do estado, precisava ir à capital a cada três semanas para tomar injeção. Glauce tentou mais uma vez a inseminação artificial, mas não engravidou. “O psicológico ficou um pouco mais abalado”, relembra.


O processo da fertilização in vitro


Glauce conta que ela e o marido decidiram “ir até o fim” porque ambos tinham esse desejo de serem pais e queriam, a qualquer custo, gerar o filho. Segundo a professora, “já estava com 35 anos e não queria esperar mais”. O casal resolveu fazer a fertilização e quase todos os dias ela precisava ir até Catanduva, onde seu médico atendia, para tomar injeções para seus folículos* crescerem. “Ainda durante esse processo, a gente tem a dúvida se eles vão crescer. Eu tinha seis, mas um era maior. Então, eu tinha que tomar remédio pra cinco crescerem, outro remédio pra controlar o que estava grande e o anticoagulante”. Ela resume esse período como “complicado psicologicamente”.

Quando os folículos chegam num bom tamanho, o médico dá outra injeção para que eles rompam. Feito isso, após 48 horas, Glauce precisaria estar no lugar em que seria feita a fertilização e, assim sendo, mais uma vez deveria ir a São Paulo. O próximo passo era a coleta dos folículos e, dos seis que ela tinha, cinco puderam ser coletados; desses, apenas quatro foram fertilizados. “Depois, [tem que] esperar dois dias pra ver se está evoluindo, tendo duplicação das células. Todo esse período é tenso e intenso, porque a gente tem que ficar 100% atento a tudo”.

Em seguida, é feita a transferência para dentro do útero. No vídeo abaixo, Glauce conta quantos embriões foram transferidos e o desfecho de todo esse processo.





Glossário

Folículo: Onde o óvulo é armazenado até sua maturação e liberação
Anticoagulante: Medicamento responsável por evitar que se formem coágulos no sangue
Linfócitos: Tipo de célula de defesa do organismo contra infecções
Trombofilia: Propensão a desenvolver trombose ou outras alterações em qualquer período da vida, pois o sangue tem uma maior tendência a coagular


Para entender o que é coito programado, inseminação artificial e fertilização in vitro, ouça as explicações do médico especialista em medicina reprodutiva Carlos Dubles:







Um comentário

Desculpe, algo deu errado