Planejando a amaternidade

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06 julho 2017

Planejando a amaternidade

Mulheres recorrem a diferentes métodos contraceptivos para não engravidarem. SUS oferece grupo para tirar dúvidas sobre o assunto em Uberlândia.

Por Lais Vieira

Pílula, anel vaginal, DIU de cobre, adesivo, camisinha, injeção. Estas são algumas das opções de métodos disponíveis no mercado e no Sistema Único de Saúde (SUS) que permitem que as mulheres escolham qual é o melhor para evitar a gravidez. Cada um tem suas vantagens e desvantagens, além de porcentagem de eficácia específica. Entre eles, existem os que são compostos por hormônios e os que são livres deles. Conheça, a seguir, sobre os principais métodos contraceptivos hormonais e não hormonais.

Métodos hormonais

A ginecologista Gisele Vissoci orienta que, independentemente do tipo de método contraceptivo escolhido pela mulher, é preciso tomar cuidado com os riscos que cada um pode causar. “As contraindicações têm que ser respeitadas na hora da prescrição. Fora isso, cada paciente pode apresentar um problema diferente que, para ela, não é a melhor escolha. Por isso que é importante a avaliação do ginecologista”, explica.

Pílula anticoncepcional
O anticoncepcional hormonal combinado oral é o método mais conhecido e utilizado pelas mulheres. Ele é um comprimido que, geralmente, é composto pela combinação de dois hormônios femininos sintéticos, o estrogênio e o progesterona, que inibem a ovulação da mulher. De acordo com Gisele, além de prevenir a gravidez, a pílula também ajuda na diminuição do risco de câncer de ovário, fluxo menstrual, da anemia, de acne, e de sintomas relacionados à endometriose de ovários policísticos. O risco de falha da pílula é de cerca de 0,1%. A pílula mensal custa, em média, cerca de R$ 30, para uma cartela com 28 comprimidos.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a pílula não é recomendada para mulheres acima dos 40 anos, mulheres em período pós-parto, que estão amamentando, mulheres fumantes, com obesidade, hipertensão, histórico de trombose venosa profunda (TVP), acidente vascular cerebral (AVC) ou infarto, com doenças cardíacas, sangramento vaginal inexplicado, mulheres que sofrem de enxaqueca, que têm diabetes, câncer de mama, entre outros problemas de saúde. Além disso, um dos malefícios da pílula é a pequena porcentagem do risco de trombose. Leia mais em "A relação entre pílula anticoncepcional e trombose".

A estudante Renata Bernardes é uma das mulheres que optaram pela pílula como método contraceptivo. “Senti a necessidade de usar quando eu comecei a namorar, com medo mesmo de engravidar. Combino ela com a camisinha.”, afirma. Ela conta que, antes de começar a usar a pílula, procurou uma ginecologista, que a orientou sobre os benefícios e malefícios do método, além de perguntar sobre o histórico de saúde dela e da família. “Um dos pontos negativos da pílula é o inconveniente de ter que lembrar de tomar todo dia e na mesma hora. [...] O efeito colateral que senti foram alguns escapes que me fizeram parar de tomá-la por um ano até que o meu endométrio se recuperasse e eu voltasse a tomá-la”, diz.
Pílula anticoncepcional é um dos métodos mais utilizados pelas mulheres (Foto: Pixabay)


DIU Mirena
O Dispositivo Intrauterino (DIU) é um outro método contraceptivo composto por hormônios. Ele libera um hormônio que não inibe a ovulação, mas evita a gravidez, pois ao deixar o muco do útero mais espesso, os espermatozoides têm dificuldade de realizar a fecundação. Além disso, o hormônio presente neste tipo de DIU é tóxico para o espermatozoide. 

Mariane ainda explica que o DIU Mirena tem a durabilidade de cinco anos e que uma das promessas do método é diminuir o fluxo menstrual em mais de 90%, para 90% das mulheres que usam o método. “Ele diminui a dor menstrual, é indicado para quem tem endometriose, para quem tem muita cólica, mioma (se não estiverem distorcendo a cavidade do útero). É um método muito bom, com uma eficácia muito boa e semelhante à da laqueadura”, diz. O método com a aplicação do DIU Mirena custam em torno de R$ 2 mil.

Implanol
O implanol é um dispositivo colocado no braço da mulher bem abaixo da pele. Ele libera hormônio durante três anos e, hoje, é considerado o método mais eficaz para evitar a gravidez. “Ele é mais eficaz e seguro do que fazer a laqueadura. A eficácia dele é em torno de três gestações a cada dez mil mulheres”, explica Mariane.

A profissional também esclarece que, com o implanol, há a possibilidade de 30 a 40% de chances de a mulher ficar sem sangramento menstrual, além de melhorar os sintomas da Tensão Pré-Menstrual (TPM). A implantação deste método custa, em média, de R$ 1,2 a 1,5 mil.

Pílula injetável
Segundo Mariane, esse método tem a mesma funcionalidade da pílula, mas com a diferença de que ele é injetável mensalmente. O mecanismo de ação também suspende a ovulação, além de apresentar os mesmos benefícios que a pílula em comprimido. A ginecologista afirma que o índice de falha é de 0,1% a 0,6%. A pílula injetável é vendida por cerca de R$ 25 a dose.
Anel vaginal
O anel vaginal é um método que também contém estrogênio e progesterona em sua fórmula. Ele é cíclico, ou seja, a mulher o coloca no colo do útero durante 21 dias, tira, menstrua e depois o reinsere. Durante o período em que está no colo do útero, o anel libera um hormônio que inibe a ovulação da mulher.

De acordo com a ginecologista Mariane, o anel vaginal é um método confortável e que não atrapalha nas relações sexuais. Ele é muito indicado para mulheres que têm sangramentos de escape com outros métodos contraceptivos. Além disso, o anel é seguro e tem a mesma eficácia da pílula injetável.

“Acho que, no Brasil, não pegou tanto porque é uma questão cultural da mulher com uma certa dificuldade de inserir e tirar o anel. A questão de se tocar, de colocar o dedo na vagina, isso às vezes incomoda algumas pacientes”, diz.

O anel vaginal custa em torno de R$ 50 a 55 a unidade, e pode ser usado por até três semanas.

Adesivo
O adesivo é composto por um material aderente à pele, e que libera hormônio durante sete dias. Ele pode ser colocado em diversas partes do corpo, mas, ao se descolar da pele, perde a eficácia, já que seu princípio ativo está no material. “Apesar de ser um método bem eficaz, é um método que não pegou muito no Brasil, porque nós moramos em um país tropical. Às vezes, o adesivo começa a descolar e, quando descola, ele perde a validade e um pouco da eficácia”, explica a ginecologista Mariane.

O adesivo é vendido em torno de R$ 35.

Métodos não hormonais

Muitas mulheres têm procurado por métodos contraceptivos não hormonais para não sentirem os efeitos colaterais que os hormonais oferecem. “A gente tem que individualizar tratamento. Cada mulher merece ser individualizada. Deixa a paciente escolher qual é o melhor pra ela. Acho que faz parte desse processo de empoderamento, da mulher se dar conta do lugar dela no mundo e ela quer controlar essas coisas”, defende Mariane.

DIU de cobre
Neste método não hormonal, o cobre é liberado dentro do útero e impede fecundação, já que o cobre é tóxico para os espermatozoides. Além disso, o Dispositivo Intrauterino (DIU) de cobre também espessa o muco do útero, dificultando a subida dos espermatozoides. A eficácia dele é de dez anos e, ao contrário do que muita gente pensa, não é cancerígeno. “Às vezes, pode aumentar o fluxo menstrual ou aumentar a dor no período menstrual. Mulheres que não têm filhos podem colocar, não aumenta chance de infecção e nem aumenta a infertilidade. É um método muito seguro”, explica a ginecologista Mariane.

A arquiteta e urbanista Gabriela Silva começou a usar o DIU de cobre depois que teve problemas circulatórios causados pela pílula anticoncepcional. Ela usou a pílula como método contraceptivo durante cerca de dez anos, associada à camisinha. “Os malefícios mais graves do uso do anticoncepcional surgiram apenas após alguns anos de uso, com episódios de dores nas pernas que se agravaram e se tornaram mais frequentes, levando ao ponto de ter sido necessário interromper o uso por causa do perigo de trombose venosa”, diz.

Em relação ao DIU, Gabriela diz que um dos efeitos colaterais dele foram as fortes cólicas que ela teve diariamente até o segundo mês de uso. Ela ressalta que a vantagem que sentiu da pílula em relação ao DIU era o controle de oleosidade da pele. No entanto, a pílula também fez com que surgissem mais estrias, celulites e varizes em seu corpo. “Outra diferença relevante entre os dois é a maior facilidade de uso do DIU em relação à pílula. O acompanhamento dele pode ser feito anualmente, dispensando qualquer atenção rotineira quanto ao seu uso”, explica.

O DIU de cobre custa, aproximadamente, R$ 110.

Camisinha feminina
O preservativo feminino, ou camisinha feminina, é outra opção de método contraceptivo não hormonal. Ela parece com um saco plástico e é inserida na vagina antes da relação sexual. Além de ter a função de método contraceptivo, também protege contra doenças sexualmente transmissíveis (DST). Se for utilizada da maneira correta, a camisinha feminina tem a eficácia de 98%. A única diferença entre o preservativo feminino e masculino é que o primeiro precisa ser usado internamente. Não devem ser utilizados em conjunto, já que o atrito entre os dois preservativos pode fazer com que se rompam. A camisinha feminina custa cerca de R$ 8, a unidade.

Pílula injetável não hormonal
A pílula injetável não hormonal é aplicada trimestralmente e a única diferença entre a hormonal e ela, é que ela não tem o hormônio estrogênio em sua composição. Este método tem a eficácia de 0,3%. “Muitas mulheres param de menstruar por causa dele. Às vezes, as mulheres questionam isso: ‘Não faz mal ficar sem menstruar?’. Não faz mal se você estiver bem-orientada e bem-acompanhada por um profissional de saúde”, afirma a ginecologista Mariane.
A pílula injetável não hormonal é vendida, em média, por R$ 100.

Grupo de contracepção em Uberlândia

Uma vez por mês, na Unidade de Atendimento Integrado (UAI) do bairro Pampulha, em Uberlândia, MG, a ginecologista e obstetra Mariane coordena um grupo de contracepção voltado para mulheres que querem se informar sobre o assunto. O grupo, que não tem número limitado de participantes, começou em 2016 e conta com a participação de oito a dez mulheres.

A profissional conta que a ideia de criar o grupo surgiu após uma experiência pessoal no Laboratório de Casos Difíceis da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto. “A ideia surgiu pela vivência que eu tive lá e por acreditar que essa tirada de dúvidas em grupo é mais produtiva do que individualmente, porque é bem corrido por ter muitas pacientes para pouco tempo [nas consultas individuais]. Eu vejo que a efetividade do grupo está sendo bem bacana”.

Nos encontros, a ginecologista explica sobre os métodos anticoncepcionais disponíveis no mercado e no Sistema Único de Saúde (SUS). “A função do grupo é dar informação para elas [as mulheres] escolherem o melhor método. Quando você tá bem informada, consegue fazer uma escolha consciente. A ideia é essa, a de empoderar as mulheres, de dar informação pra elas falarem ‘Olha, esse é realmente o melhor método pra mim, é isso o que eu quero”, observa.

Além disso, a UAI também oferece a inserção gratuita de dois DIU de cobre para as duas mulheres participantes do grupo. Os pré-requisitos são: participar frequentemente do grupo, não estar grávida, não ter nenhum sangramento genital inexplicável, ter exames médicos recentes e teste do Papanicolau em dia.



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